O Plano Nacional de Logística 2050 é factível, mas sua execução depende de melhorias na infraestrutura e na integração entre os modais de transporte, avaliou Fernando Balbino, diretor internacional de comércio exterior do Grupo IBL Logística. Ele afirmou que o planejamento oferece clareza para enfrentar os desafios históricos da cadeia logística brasileira.
Segundo Balbino, o maior obstáculo logístico não é apenas a infraestrutura, mas a integração sistêmica e documental entre as diferentes partes da cadeia. Ele destacou que, apesar da importância do transporte rodoviário, a navegação por cabotagem deve receber maior atenção devido à extensão da costa nacional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
O executivo ressaltou que a cabotagem pode gerar redução de custos de dez a vinte por cento quando comparada ao transporte rodoviário. Essa vantagem econômica, somada ao aspecto de sustentabilidade, justifica a conexão mais forte entre o modal marítimo doméstico e o rodoviário na logística nacional.
O modal ferroviário também é considerado relevante, mas Balbino explicou que sua atuação foca mais em operações de comércio exterior, ligadas aos portos. Para a movimentação interna, ele reforçou o potencial da combinação entre cabotagem e transporte rodoviário, que abrange rotas da costa brasileira, como do Rio Grande do Sul a Manaus.
O principal gargalo, contudo, reside nas conexões entre os modais. As ineficiências na chegada e saída dos portos dificultam a movimentação das mercadorias, e há problemas sistêmicos no agendamento de carga. A integração documental também é um desafio, pois os documentos marítimos diferem dos utilizados no transporte rodoviário.


