A inadimplência no crédito rural registrou 7,5% entre pessoas físicas e 0,8% entre empresas do agronegócio em junho. Os dados apontam um crescimento do índice para pessoas físicas neste ano, mas analistas não preveem melhora no endividamento do campo até 2027.
Os índices de junho de 2026 representam um avanço de 0,9 ponto percentual para pessoas físicas e 0,2 ponto percentual para jurídicas neste ano. Em doze meses, o aumento é maior. O saldo “problemático” da carteira ativa de crédito rural somou R$ 197,1 bilhões, o que corresponde a cerca de 22,5% do total.
David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, atribui a alta inadimplência à baixa rentabilidade dos produtores e aos juros elevados. Ele prevê que os níveis de atraso podem reduzir a partir de 2027, dependendo da melhora na rentabilidade e no equilíbrio dos investimentos.
O saldo de operações em atraso, não pagas entre quinze e noventa dias após o vencimento, cresceu. Em março, o valor era de R$ 14,6 bilhões, e em junho atingiu quase R$ 21 bilhões. Já os financiamentos prorrogados caíram de R$ 38,4 bilhões para R$ 31,6 bilhões.
No Rio Grande do Sul, o saldo problemático aumentou pelo terceiro mês consecutivo, chegando a R$ 42,7 bilhões, ou 39% da carteira ativa. José Carlos Vaz, consultor jurídico do agronegócio, afirmou que os dados não incluem dívidas privadas e que a renegociação deveria ter ocorrido há mais tempo.


