A vida na capital paulista impõe desafios aos laços afetivos. A rotina intensa, o trânsito e a vasta oferta de parceiros online dificultam a manutenção de relacionamentos duradouros, observam psicanalistas e psicólogos.
O psicanalista Christian Dunker, do Instituto de Psicologia da USP, relaciona o fenômeno à identidade paulistana. Ele explica que a aceleração da cidade se reflete nas relações, levando à lógica de que o que não funciona é rapidamente substituído. Dunker atualizou a ideia de “amores líquidos” para “amores vaporosos”, que se desfazem sem tempo de se consolidar.
Renato de Santana Cunha, psicólogo, nota que a cultura de produtividade paulistana faz com que os afetos sejam analisados como oportunidades. Ele relata que a redução do tempo livre, causada pelos deslocamentos, diminui a energia disponível para investir nos vínculos. A sensação de urgência pós-pandemia, somada à tecnologia, leva muitas pessoas a encerrar relações por pequenos conflitos.
A socióloga Marília Moschkovich, da FFLCH/USP, concorda com a dificuldade de conexões profundas, mas ressalta que a dinâmica da cidade beneficia grupos minoritários. Ela afirma que a pressão do trabalho impacta decisões cotidianas, como a mobilidade urbana, que influencia o encontro de pessoas.
Os aplicativos de relacionamento também geram frustração, segundo Dunker. Ele diz que as plataformas apenas promovem encontros iniciais, transformando a busca por parceiros em uma série de “entrevistas de emprego” rápidas, onde o excesso de escolhas acelera o processo de descarte.


