As amendoeiras, originárias da Ásia e trazidas ao Rio de Janeiro há mais de duzentos anos, consolidaram-se na identidade da cidade. A árvore, que se adapta ao clima local, exibe folhagem avermelhada no inverno, diferentemente do calendário outonal.
As primeiras mudas da espécie chegaram ao Rio com a corte portuguesa no século XIX. Inicialmente, seus troncos serviam como lastro em navios. Posteriormente, a espécie integrou o projeto urbanístico do prefeito Pereira Passos, que buscou modernizar a cidade a partir de 1903, buscando um efeito semelhante ao das ruas de Paris.
Atualmente, a árvore é vista em locais como a Praça Paris, na Glória, onde suas folhas vermelhas conferem um aspecto europeu. O ator Ed Lopes, morador da Glória, comenta que aprecia a mudança na paisagem provocada pelas amendoeiras.
Marcus Nadruz, coordenador da Coleção Viva do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, explica que a planta, sendo exótica, se adapta ao ambiente urbano. Ele esclarece que, por ser uma planta de clima diferenciado, ela perde as folhas no inverno como mecanismo de proteção.
Contudo, o crescimento da amendoeira apresenta desafios. Suas raízes profundas podem levantar concreto e invadir tubulações, causando danos a calçadas e imóveis. Por essa razão, a Fundação de Parques e Jardins não realiza mais o plantio da espécie em novos projetos, priorizando espécies nativas.


