Pesquisadores desenvolveram uma tecnologia que usa proteínas artificiais para contornar um obstáculo biológico no desenvolvimento de vacina contra a sífilis. O avanço permite estudar proteínas da membrana da bactéria de forma estável e solúvel, facilitando a identificação de antígenos.
O desafio para criar uma vacina reside em proteínas da membrana externa da bactéria Treponema pallidum. Essas proteínas são candidatas a antígenos, mas possuem regiões que repelem a água, tornando-as instáveis fora de seu ambiente celular natural. Antes, os cientistas dependiam de detergentes para extraí-las, um processo complexo que podia comprometer sua estrutura.
A nova técnica emprega proteínas artificiais, chamadas WRAPs, projetadas por computador. Essas proteínas funcionam como um revestimento, mantendo as proteínas-alvo solúveis e estáveis em água sem a necessidade de detergentes. Os pesquisadores fundiram geneticamente as WRAPs às proteínas e as produziram na bactéria Escherichia coli.
Com a plataforma, os cientistas conseguiram gerar versões solúveis de quatro proteínas da membrana da bactéria. Análises confirmaram que essas proteínas mantiveram características antigênicas importantes, reagindo com anticorpos de soros de coelhos infectados. Os autores afirmam que esses antígenos podem ajudar na identificação de anticorpos monoclonais e no desenvolvimento futuro de vacinas.
Além da sífilis, os testes mostraram que as proteínas revestidas pelas WRAPs mantiveram estabilidade térmica e estrutura tridimensional. O estudo, que foi publicado em uma revista científica, ainda é inicial, sem testes de vacina ou aplicação em humanos.


