O governo Luiz Inácio Lula da Silva ganhou margem para fechar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) até 31 de agosto. Contudo, economistas afirmam que um ajuste fiscal forte em 2027 será necessário, apesar dos gatilhos orçamentários definidos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, projetou um espaço orçamentário de cerca de R$ 10 bilhões. Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, contudo, afirmou que esse valor é pequeno diante das receitas primárias líquidas trilhardárias. Segundo Pestana, a equipe econômica deve focar em superávits, pois em 2027 quase cem por cento dos recursos estarão comprometidos com despesas obrigatórias.
Os gatilhos previstos no projeto de lei definem que, em caso de déficit, algumas despesas terão crescimento limitado às regras do arcabouço fiscal. Outra medida prevê o desconto de receitas de comercialização de petróleo e gás natural da receita corrente líquida.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, declarou que um ajuste fiscal se impõe há pelo menos dois anos para conter a alta dos juros reais. Ele considerou a sinalização do governo correta, mas insuficiente, devido à projeção da folga de R$ 10 bilhões.
Tiago Sbardelotto, economista-chefe da XP, mencionou que, mesmo com aperto na receita, a regra orçamentária atingiria seu limite em 2028, exigindo reformas maiores. Entre elas, ele citou a desvinculação de pisos de saúde e educação e a revisão do Bolsa Família.


