Forças de segurança do Marrocos interceptaram, neste sábado (15), pelo menos cento e onze pessoas que tentavam entrar no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. A ação ocorreu em meio a um reforço de segurança nas fronteiras, após mais de 72 mil migrantes terem se deslocado para a cidade há duas semanas.
De acordo com uma fonte do Ministério do Interior marroquino, entre os detidos havia cento e nove migrantes da África subsaariana e dois cidadãos marroquinos. As autoridades policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos reunidos a cerca de três quilômetros da fronteira. Em Ceuta, soldados protegiam supermercados e policiais patrulhavam as vias principais do enclave.
A Espanha também intensificou a vigilância após a travessia de mais de cento mil pessoas em trinta de julho. O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, informou que a barreira marítima e o contingente de mais de quinhentos policiais permanecerão no território. Ele declarou que os migrantes não possuem autorização para residir em Ceuta ou viajar para a Espanha continental, exceto em casos de extrema vulnerabilidade.
Entidades marroquinas apontam que o êxodo migratório foi causado pelo agravamento das condições sociais e econômicas no país. A Associação Marroquina de Direitos Humanos afirmou que o governo marroquino é responsável pelas condições que levaram ao deslocamento, comparando a situação a zonas de guerra. O Observatório do Norte de Direitos Humanos também condenou o uso da migração como ferramenta política.


