Os Estados Unidos postergaram uma demonstração militar planejada com bombardeiros B-52 perto do Brasil. A ação, que envolvia apoio do Chile e da Argentina, foi adiada na terça-feira, dia onze, e coincidia com a defesa da Doutrina Monroe pelo governo americano.
O governo de Donald Trump pretendia usar a operação para reforçar o domínio dos EUA na América Latina. A iniciativa estaria ligada à Estratégia de Segurança Nacional, publicada no fim de dois mil e vinte e cinco, e visava demonstrar alinhamento com apoiadores ideológicos sul-americanos, em oposição ao governo brasileiro.
Inicialmente, três bombardeiros estratégicos B-52H Stratofortress deveriam voar de Minot, na Dakota do Norte, em direção ao Chile e à Argentina. Aviões de reabastecimento e caças dos países aliados acompanhariam a missão. No entanto, uma falha não confirmada em um KC-135 Stratotanker fez com que todas as aeronaves retornassem à base, cerca de seis horas e meia após a decolagem.
O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA informou que a missão “foi postergada devido a outras exigências operacionais”, sem detalhar o motivo. A presença dos bombardeiros no continente não é inédita, mas o grau de engajamento com dois aliados fora de um exercício multinacional é novo. A operação, que duraria até vinte e nove horas, entrava na Força-Tarefa de Bombardeiros.
Oficiais da Força Aérea Brasileira comentaram que o momento da manobra chamou atenção, dado o atual estado das relações entre os dois países. O governo americano havia sobretaxado produtos brasileiros e cassado o visto da representante brasileira em Washington.


