O uso do chapéu por Luiz Inácio Lula da Silva na foto que constará na urna eletrônica deste ano pode renovar a imagem do presidente, mas também apresenta riscos para a estratégia de comunicação da campanha, avalia Natália Mendonça, professora de marketing político da ESPM. A novidade pode reforçar o reconhecimento visual do líder, mas também provocar estranhamento e alimentar especulações de saúde.
Essa será a primeira vez que Lula terá um acessório na foto da urna desde o início de suas disputas presidenciais após a redemocratização, em mil novecentos e oitenta e nove. O presidente passou a usar o chapéu em maio deste ano, após a remoção de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo, procedimento recomendado por médicos para proteger a região durante a cicatrização.
Segundo Mendonça, a alteração na aparência de uma figura conhecida será notada pelo eleitorado. Enquanto parte do público pode interpretar o chapéu como uma escolha estética ou característica da fase atual, outra parcela pode associar o acessório ao problema de saúde. Essa última leitura, ela explica, exige maior atenção da campanha.
A especialista detalha que três interpretações conviverão, e a campanha não controla qual delas prevalecerá em cada grupo. Para eleitores já convencidos, o chapéu será lido como estética e afeto regional. Já o eleitor de centro pode ver a imagem como um sinal de uma fase mais leve e madura do candidato. Existe, contudo, uma leitura que circula nas redes, ligando o chapéu ao problema de saúde, e é essa que alimenta boatos.
A escolha de colocar o chapéu de forma explícita na urna é uma decisão ousada do PT, avalia Mendonça. Embora o acessório pudesse ficar restrito a eventos públicos, a campanha o incorporou ao momento do voto. Ela ressalta que a urna é o último contato com o eleitor, um momento sem legenda ou explicação, apenas o rosto na hora da decisão.

