O governo brasileiro deu início ao processo de aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos na quinta-feira. A decisão, tomada em resposta a tarifas americanas, eleva o risco de aumento de impostos sobre produtos do país.
Economistas avaliam que aplicar a reciprocidade a um país com o que consideram falta de racionalidade econômica na guerra tarifária pode dobrar as tarifas atuais de 25% para 50%, segundo o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele alertou para uma possível reação negativa dos americanos, dado o cenário político desafiador.
A tendência do governo é seguir o caminho mais longo previsto na Lei de Reciprocidade Econômica, em vez de usar contramedidas provisórias imediatas contra o tarifaço de até 37,5% imposto pelos Estados Unidos. Integrantes do governo informaram que o Palácio do Planalto busca agir dentro da proporcionalidade, ouvindo o empresariado.
Para o economista da Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia, a ação adiciona mais incerteza à trajetória do real. Ele observou que o risco de escalada na disputa comercial com os EUA impacta setores exportadores, em um momento em que os mercados já demonstram cautela com ativos domésticos.
Carlos Honorato também apontou que a abertura do processo reforça a pressão sobre o câmbio e os ativos brasileiros. Ele afirmou que o governo, ao sinalizar a intenção de retaliar, envia um sinal de que está atuando na questão tarifária.


