O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou operação para investigar desvio de recursos públicos na Câmara de Vereadores de Pelotas. A investigação apura o esquema conhecido como ‘rachadinha’, lavagem de dinheiro e possível infiltração de organização criminosa na estrutura local.
Trinta e três mandados de busca e apreensão foram cumpridos no município e em Capão do Leão. A ofensiva mira vinte indivíduos, incluindo três vereadores, assessores e servidores. O promotor Rogério Meirelles Caldas coordenou a ação, com apoio da Brigada Militar.
Segundo Caldas, há duas situações graves apuradas. A primeira envolve membros nomeados para o interesse público que seriam obrigados a devolver parte do próprio salário para manter o emprego. A segunda situação investigada trata da ocupação de cargos por pessoas ligadas ao crime organizado, cujos recursos públicos recebidos ganhavam aparência regular.
A apuração indica que era exigida parte dos salários de detentores de cargos comissionados a terceiros ligados ao esquema. Os valores eram posteriormente ocultados e movimentados em proveito particular. Além disso, o Gaeco/MPRS investiga o uso de cargos legislativos para beneficiar integrantes de organização criminosa, com verbas destinadas à quitação de dívidas de agiotagem.
A diligência resultou na apreensão de documentos, arquivos de computador e R$ 96 mil em posse de dois parlamentares e um assessor. A investigação se baseia em informações prestadas por um ex-secretário municipal e dois servidores da Câmara, corroboradas por provas digitais e dados financeiros.


