Organismos internacionais criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ele autorizar busca e apreensão contra uma fonte de jornalista. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) repudiou a ação, classificando-a como ameaça ao jornalismo.
A SIP manifestou-se no dia seguinte à operação, realizada na terça-feira, dia 11, contra uma fonte do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. A entidade declarou que violar o sigilo da fonte vai além do que a Constituição brasileira assegura, citando a Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Pierre Manigault, presidente da SIP, afirmou que a proteção de fontes confidenciais é uma garantia essencial para que cidadãos forneçam informações de interesse público sem receio de represálias. Ele solicitou que as autoridades brasileiras respeitem o sigilo profissional e revisem decisões que comprometam a confidencialidade.
Mais críticas vieram do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) nesta sexta-feira, dia 14. Cristina Zahar, coordenadora da entidade para a América Latina, disse que a decisão do ministro do STF pode abalar o trabalho de toda a imprensa do país. O CPJ também mencionou que a ação ocorreu após outro ministro do STF, Flávio Dino, se sentir perseguido pelo jornalista.
A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) também lamentou a determinação. O grupo destacou que o sigilo da fonte é um direito constitucional e que seu enfraquecimento impede a realização de denúncias de interesse público por medo de retaliação.

