Um dente preservado por cerca de 1.600 anos pode alterar o entendimento sobre o cristianismo primitivo. O achado, próximo à Cidade Velha de Jerusalém, sugere que uma mulher pode ter sido submetida a penitência radical com correntes.
A evidência, apresentada em estudo publicado em 2025, veio de restos mortais encontrados em um antigo mosteiro bizantino. O indivíduo estava envolto em pesadas correntes metálicas, prática associada a formas extremas de ascetismo cristão.
Pesquisadores usaram análise de proteínas do esmalte dentário, pois os métodos arqueológicos tradicionais não permitiram a identificação do sexo. A técnica busca a amelogenina, proteína que pode sobreviver por longos períodos.
Na amostra analisada, não foram identificados sinais da proteína relacionada ao cromossomo Y, o que indica, como hipótese mais provável, que os restos pertencem a uma mulher. Os autores alertam que a ausência da proteína não é prova absoluta de seu desaparecimento.
Historicamente, o ascetismo severo, que envolvia o uso de correntes como penitência, esteve ligado principalmente a figuras masculinas. A descoberta sugere que mulheres também podem ter participado dessas manifestações religiosas severas.


