A China solicitou participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) relativas à ação do Brasil contra tarifas impostas pelos Estados Unidos. Especialistas avaliam que o pedido fortalece o argumento brasileiro no cenário de guerra tarifária.
O Brasil contestou duas medidas tarifárias dos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da OMC no final do mês passado. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que as tarifas americanas são incompatíveis com regras internacionais de comércio. Uma das medidas questionadas impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Ana Garcia, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), disse que a China oferece um apoio importante, pois possui maior poder de barganha contra os EUA que o Brasil. Pablo Ibañez, integrante do Brics Policy Center, complementou que o pedido chinês reforça o peso político da contestação brasileira contra a Seção 301 dos EUA.
Os analistas apontam que a OMC apresenta mecanismos enfraquecidos, dificultando resultados práticos imediatos. Garcia frisou que a fragilidade institucional é agravada pelo privilégio dos Estados Unidos por ações bilaterais, enquanto a China busca aumentar sua influência nesses foros.
Ibañez ressalta que o movimento chinês possui interesses próprios, como combater o enfraquecimento de mecanismos multilaterais pelos EUA. Ele alertou que a situação não deve ser vista como um alinhamento direto do Brasil, que mantém relações com ambas as potências.


