O Brasil iniciou processo para analisar o uso da Lei de Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida busca fortalecer a posição do país em negociações, mas analistas alertam para tensões econômicas e escalada comercial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país começou o processo para demonstrar que não aceita as medidas comerciais. A legislação brasileira prevê instrumentos para disputas, e a consulta formal definirá se o tarifaço americano se enquadra nesse mecanismo. O processo, contudo, passará por etapas como consulta pública e avaliação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), podendo se estender até após as eleições de outubro.
Especialistas divergem sobre a reação americana. Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard, diz que uma resposta dura não é o cenário mais provável a curto prazo, mas Juliana Inhasz, economista do Insper, considera improvável que Washington não reaja. Ela explica que o governo americano tem se mostrado proativo diante de ameaças, e um novo anúncio pode iniciar uma guerra comercial.
A aplicação das medidas de retaliação traz custos para o Brasil. Segundo Inhasz, o país importa itens americanos de alto valor agregado, como medicamentos e máquinas. Se tarifas adicionais incidirem sobre esses produtos, o aumento de custos será repassado a empresas e consumidores brasileiros. Oliver Stuenkel acrescenta que a tensão também afeta a percepção de investidores sobre o país.


