As convenções partidárias revelaram um cenário de chapas unipartidárias na maioria das candidaturas presidenciais. Apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui coligação. A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, atribui a mudança à priorização dos partidos do Centrão em ampliar suas bancadas.
Segundo a pesquisadora, os incentivos para apoiar a eleição presidencial diminuíram. O fortalecimento das emendas parlamentares e o controle do Congresso sobre o Orçamento do Executivo fizeram com que as siglas vissem mais vantagens em aumentar sua representação no Legislativo. Isso reduz a capacidade do Executivo de negociar apoio político via orçamento.
A análise da cientista política aponta que as siglas buscam manter neutralidade na disputa para apoiar candidatos regionais, visando maior poder de negociação com o próximo presidente. Entre os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não indicaram mulheres para as chapas.
Mayra Goulart distingue representação descritiva de agenda feminina, avaliando que Lula se aproxima desse eleitorado por representar pautas historicamente incorporadas. Ela também observou a fragmentação da direita, mas prevê aglutinação em um possível segundo turno impulsionada pelo antipetismo.


