As eleições presidenciais de 2026 apresentam um traço distinto: a possível interferência dos Estados Unidos. O processo também consolidou o enfraquecimento do Poder Executivo diante do Legislativo e do Judiciário, sinalizando um mandato com governabilidade difícil.
A fragilização do Executivo começou em 2014. A soma da influência externa e da força dos outros poderes indica dificuldades para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso se reeleja, e para o senador Flávio Bolsonaro, em caso de vitória. O presidente americano Donald Trump retomou a Doutrina Monroe, visando a hegemonia dos EUA nas Américas, conforme um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado.
O diretor-geral da Fundação FHC, Sergio Fausto, observou que o peso do fator externo na eleição é maior que em outros momentos. Lula tem usado a pauta da soberania contra os EUA, e o governo brasileiro comunicou em 13 de agosto que ativará a lei de reciprocidade em resposta a tarifas decididas por Trump.
Especialistas apontam desafios para ambos os lados. Para Davisson Belém Lopes, professor de política internacional da UFMG, a interferência pode desestabilizar Lula. Já Claudio Couto, professor da FGV, afirma que o fortalecimento do Congresso perante a Presidência não depende do resultado das urnas. A perda de poder presidencial iniciada em 2014 está consolidada.
Em caso de reeleição, Fausto prevê que Lula estará limitado por um Congresso de direita e por uma crise fiscal. Flávio Bolsonaro, se eleito, enfrentará desafios de liderança, segundo Couto, pois não possui o mesmo diálogo com a elite empresarial e parlamentar que outros presidentes tiveram.


