O Brasil apresenta a pior trajetória da dívida pública entre as dez maiores economias emergentes, segundo análise do economista Marcos Troyjo. O levantamento, baseado em dados do Fundo Monetário Internacional, classifica o país como o único do grupo com alta significativa na relação dívida/PIB.
Troyjo aponta que o cenário brasileiro combina elevado endividamento, alto custo de financiamento e despesa com juros. Essa combinação eleva o custo para o governo financiar seus compromissos, direcionando mais recursos orçamentários ao pagamento de juros e reduzindo espaço para investimentos.
A dívida bruta brasileira voltou a crescer a partir de 2023. Após cair para a casa dos setenta por cento do PIB ao fim de 2022, a relação atingiu 81,9% do PIB em junho de 2026. Esse aumento supera dez pontos percentuais e é impulsionado por déficits nominais e custo do serviço da dívida.
A comparação com a China ilustra a vulnerabilidade nacional. Embora a dívida chinesa/PIB seja maior, seu custo de financiamento é muito inferior ao brasileiro. Troyjo afirma que o custo de carregamento da dívida diferencia o Brasil de outros emergentes e amplia os riscos fiscais.
O economista sugere que uma mudança na trajetória depende de sinalização política de compromisso com o controle de despesas. Sem esse ajuste, investidores podem exigir correções mais rápidas, elevando a pressão sobre os juros e a atividade econômica.


