A percepção sobre a trajetória das contas públicas influencia os juros e o custo do crédito empresarial no Brasil. Dúvidas sobre o controle de despesas e a estabilização da dívida elevam o risco percebido, encarecendo o financiamento de investimentos, segundo o economista Marcos Troyjo.
Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, afirma que a economia é determinada pelo que ela é e pelo que as pessoas esperam que ela seja. No país, a incerteza fiscal aumenta o custo de capital das empresas. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, se mantém em 14% ao ano desde o dia seis de agosto de 2026, elevando o custo de linhas de crédito e de capital de giro.
O economista usa a metáfora de que o governo entra no mercado de crédito com uma “boca gigante” para financiar sua dívida. Essa alta demanda por recursos públicos aumenta a competição por capital com o setor privado. Em um cenário de juros altos, o custo do financiamento elevado torna projetos de longo prazo menos viáveis.
O quadro se complica com a manutenção da política monetária restritiva pelo Banco Central, enquanto o governo adota medidas de estímulo ao crédito. Troyjo aponta que sinalizações críveis de controle de gastos públicos podem melhorar as expectativas do mercado, permitindo ajustes fiscais mais graduais no horizonte de 36 a 48 meses.
O efeito final é a redução da competitividade das empresas nacionais. Com financiamento doméstico mais caro, companhias de outros países com condições de crédito favoráveis podem obter vantagem, limitando o potencial de expansão e produtividade da economia.


