O Brasil construirá a primeira fábrica global dedicada ao processamento de pele de tilápia para fins médicos. A unidade será instalada em Jaguaribara, Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões. A tecnologia, desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará, transforma material descartado em curativo biológico para feridas.
O projeto industrial será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical. A expectativa é aumentar a produção de um material usado hoje em pequena escala para pesquisa. Atualmente, o laboratório da Universidade Federal do Ceará produz cerca de seiscentos peles de tilápia por mês. No primeiro ano de operação comercial, a fábrica deve atingir 4,3 mil unidades diariamente, podendo chegar a 12 mil por dia em uma segunda fase.
O material, após preparo e esterilização, adere à lesão e serve para tratar queimaduras de segundo e terceiro graus. Os responsáveis pelo projeto afirmam que o uso dessa tecnologia pode reduzir em 52% o custo total do tratamento em comparação com métodos tradicionais. Além disso, há previsão de diminuir a necessidade de analgésicos opioides e de internações para troca de curativo.
A fábrica também implementará a liofilização, técnica de desidratação. Com esse processo, o curativo pode ser armazenado sem refrigeração e ter validade de até três anos em temperatura ambiente. A construção deve começar em outubro deste ano, com prazo de 15 a 18 meses para conclusão, visando operação em janeiro de 2028. A utilização comercial depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


