A acessibilidade à moradia nos Estados Unidos enfrenta desafios persistentes, segundo análise do Morgan Stanley. As taxas de hipoteca, que caíram abaixo de seis por cento em fevereiro de dois mil e vinte e seis, não trouxeram um retorno às condições de antes de dois mil e vinte e dois, mantendo custos elevados para compradores.
A pesquisa da firma modelou três cenários de taxas de juros e concluiu que, em nenhum caso, as condições de mercado retornarão ao nível pré-dois mil e vinte e dois. Segundo Sarah Wolfe, economista sênior do Morgan Stanley Wealth Management, os custos mensais de financiamento permanecem acima dos patamares observados nas duas décadas anteriores a dois mil e vinte e dois.
No cenário base, com taxas moderando para cinco por cento, os pagamentos mensais caem de vinte e quatro por cento da renda familiar para cerca de vinte e um por cento. Esse percentual ainda ultrapassa a média de aproximadamente quinze por cento vista após a crise financeira de dois mil e sete a dois mil e nove. Mesmo no cenário mais otimista, com taxas em quatro por cento, a melhora na acessibilidade é modesta.
O mercado também enfrenta um efeito de travamento. Cerca de setenta por cento dos proprietários atuais mantêm taxas abaixo de cinco por cento, e metade delas em taxas inferiores a quatro por cento. Isso restringe a oferta de imóveis, pois a venda e recompra com taxas próximas a seis por cento e cinquenta por cento implicaria aumento drástico nos custos mensais para esses moradores.
O custo para adquirir um imóvel de preço mediano hoje é de cerca de dois mil dólares por mês, o dobro do valor há cinco anos, estima o Morgan Stanley Research. Pesquisas de outras instituições, como J.P. Morgan, indicam que o mercado está em um reset estrutural, e não em um ciclo temporário de baixa.


