A Amazon foi flagrada escaneando e destruindo um grande lote de livros raros em um armazém no Nevada. O procedimento visa alimentar os modelos de inteligência artificial da companhia. A prática tem gerado preocupação no meio literário e jurídico.
Um livreiro suspeitou que um pedido de mil livros, feito anonimamente em uma plataforma de vendas, era destinado a uma empresa de IA. Para confirmar a suspeita, o comerciante colocou um rastreador dentro de um dos volumes. O rastreamento levou à um local em um armazém da Amazon, onde funcionários realizam o escaneamento das páginas para posterior descarte.
Um funcionário da Amazon escreveu em um fórum de colaboradores que o trabalho consiste em escanear os livros. A empresa respondeu a um veículo de comunicação afirmando que adquire livros por canais comerciais para desenvolver e aprimorar produtos e serviços.
A questão ganhou notoriedade pública após um processo movido contra a Anthropic. Nesse caso, um juiz decidiu que a transformação de textos físicos em digitais não violava a lei de direitos autorais. Livreiros relatam suspeitas de que seus estoques são usados e depois eliminados para o treinamento de IAs.
O escaneamento dos números ISBN dos livros processados reforça a teoria de que empresas de IA buscam digitalizar o acervo mundial de obras impressas. Os livros raros possuem valor histórico e intelectual, aspectos que as empresas de tecnologia, segundo o livreiro, ignoram em prol do conteúdo textual.


