A Flock, empresa de tecnologia policial com cerca de 120 mil leitores de placas nos EUA, anunciou alterações em sua plataforma na semana passada. As mudanças visam impedir que agentes usem o sistema para fins ilegais, incluindo perseguição, após denúncias de uso indevido.
Relatos recentes indicaram que agentes utilizaram sistemas da Flock e de concorrentes para assediar mulheres. Em um caso, uma mulher em Wisconsin alegou que seu ex-namorado policial pesquisou seu carro cento e setenta e nove vezes. A Flock respondeu implementando práticas que exigem causa provável para cada busca, como o uso de software para sinalizar pesquisas anormais e a necessidade de inserir um número de caso criminal.
Contudo, as novas políticas apresentam falhas. Agentes podem inserir números de caso falsos, replicando práticas anteriores para contornar salvaguardas. Grupos de defesa de liberdades civis questionam se a empresa não transforma uma ferramenta de combate ao crime em uma rede de vigilância em massa.
Defensores da tecnologia argumentam que as câmeras auxiliam na resolução de crimes graves, como sequestros. Entretanto, especialistas apontam que o sistema da Flock define os limites entre segurança e liberdade. A empresa não verifica os números de caso inseridos pelos agentes, permitindo buscas sem lastro legal.
O modelo de negócio da Flock depende da coleta massiva de dados. Críticos, como um conselheiro sênior da ACLU, defendem que a limitação da vigilância deve vir de novas leis, e não apenas de diretrizes internas da companhia. Algumas cidades já cancelaram contratos com a empresa.


