A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia pode dar fôlego à varejista, mas não resolve sozinha os problemas que a levaram à Justiça. Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, avalia que dificuldades de gestão, juros altos e a perda de competitividade frente ao comércio digital são os principais obstáculos.
A companhia solicitou a recuperação judicial com um passivo de R$ 17 bilhões. Dois anos antes, a empresa concluiu uma recuperação extrajudicial, que renegociou quase R$ 5 bilhões em dívidas. Nessa modalidade, a negociação ocorre diretamente com os credores, diferentemente da supervisão judicial.
No segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10 bilhões. Desse montante, R$ 9 bilhões vieram de eventos extraordinários, como ajustes de impostos e custos do fechamento de quase trezentas lojas. Sem esses fatores, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões.
Matos aponta três fatores para a crise. A gestão da empresa, segundo ele, não conseguiu adaptar o negócio após mudanças de controle. Com a taxa básica de juros em 14%, os custos de financiamento sobem, e consumidores de menor renda enfrentam mais dificuldades para parcelar compras. A empresa também não acompanhou a velocidade da expansão de plataformas digitais como a Amazon.
Para manter a operação, a Casas Bahia busca R$ 1 bilhão via DIP Finance, empréstimo que servirá para financiar a atividade cotidiana, como recompor estoques. Contudo, o especialista afirma que o processo apenas ganha tempo, e a empresa precisa modernizar a gestão e fortalecer o digital para gerar caixa. Caso contrário, a venda ou a falência são desfechos prováveis.


