O Ministério da Saúde prorrogou até dezembro a estratégia de resgate da vacina contra o HPV, que visa imunizar adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a dose na idade recomendada. A medida ocorre porque o país ainda não alcançou a meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) de imunizar noventa por cento do público-alvo.
Até agora, cerca de trezentos mil pessoas dessa faixa etária foram vacinadas, segundo a pasta. Em dois mil e vinte e cinco, a cobertura atingiu o melhor resultado da série, com o índice em oitenta vírgula dois seis por cento, mas ficou quase dez pontos abaixo da meta nacional. O índice tem crescido desde dois mil e vinte e um, quando estava em cinquenta e nove vírgula sete por cento.
O professor de epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, Fernando Wehrmeister, apontou que a meta nacional pode mascarar a falta de imunização de grupos específicos, como os de menor escolaridade. A discrepância de cobertura por sexo também é relevante; em dois mil e vinte e cinco, a taxa entre meninas foi de oitenta e seis vírgula vinte e dois por cento, enquanto entre meninos ficou em setenta e quatro vírgula cinquenta e cinco por cento.
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Mônica Levi, explicou que a diferença entre os sexos se deve à origem do imunizante, inicialmente desenvolvido para prevenir o câncer de colo do útero. Ela disse que a comunicação não acompanhou a ciência, mantendo o imaginário de que a vacina é apenas para mulheres.
Outras barreiras incluem a baixa procura por serviços de saúde por parte dos adolescentes e a resistência de pais, que acreditam que a vacina estimula a vida sexual. Além disso, a infecção pelo HPV é silenciosa, o que contribui para a baixa percepção de risco e o crescimento da desinformação nas redes sociais.


