A superfetação é a concepção de um segundo embrião enquanto uma gestação já está em andamento. Este evento é extremamente incomum e ocorre quando mecanismos naturais que bloqueiam novas concepções durante a gravidez falham, conforme explica um ginecologista e obstetra.
O fenômeno exige uma sequência de acontecimentos improváveis. Normalmente, as alterações hormonais do organismo impedem um novo ciclo ovulatório. Além disso, mudanças no colo do útero e no ambiente uterino dificultam a passagem de espermatozoides e uma nova implantação, detalhou Hamilton Franco.
Para que a superfetação ocorra, acredita-se que haja uma falha excepcional no bloqueio hormonal. Isso permitiria a liberação de outro óvulo, seguido de fecundação e implantação bem-sucedida do novo embrião. Identificar o caso não é simples, pois diferenças de tamanho entre fetos não confirmam concepções em momentos distintos, já que variações de crescimento ocorrem em gestações gemelares comuns.
Embora concebidos em momentos diferentes, os dois bebês compartilham a mesma gestação e podem ser tratados como gestação múltipla. O obstetra precisa equilibrar a maturidade de ambos, o que define o momento do parto. A principal preocupação médica reside na diferença de maturidade entre os fetos e nos riscos inerentes a qualquer gestação múltipla, como o parto prematuro.

