O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou 0,6% em junho, um número superior ao esperado pelos economistas. O dado confirma a desaceleração gradual da atividade econômica do país, resultado dos juros altos e do endividamento das famílias, e reforça a possibilidade de novos cortes na taxa Selic.
A comparação com o mesmo período do ano anterior mostra um avanço de 2,4%. Economistas apontam que a economia vinha desacelerando em 2025, mas o primeiro trimestre de 2026 apresentou dados mais fortes, impulsionados por estímulos governamentais e valorização do salário mínimo. Agora, no segundo trimestre, a atividade retornou ao ritmo de desaceleração visto no final do ano anterior.
A moderação foi sentida em vários setores. O Goldman Sachs indicou que a queda foi puxada pela indústria, que recuou 1,4%, e pelo setor de serviços, com queda de 0,5%. A agropecuária, por sua vez, registrou alta de 1%. Se o impacto do setor agropecuário for excluído, o IBC-Br contraiu 0,9% no período.
A análise dos especialistas indica que a economia depende mais do setor externo, principalmente do agronegócio e da exploração de petróleo. O avanço do IBC-Br no segundo trimestre foi de 0,2% em relação aos três meses anteriores, marcando uma desaceleração brusca frente à alta de 1,3% registrada no primeiro trimestre.
O freio na atividade econômica influencia a política monetária. O arrefecimento chancela que os juros altos estão surtindo efeito, e a dinâmica mais fraca, somada a surpresas inflacionárias benignas, sugere continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central.


