O Brasil construirá a primeira fábrica global dedicada ao processamento de pele de tilápia para uso médico. A unidade será instalada em Jaguaribara, Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões, transformando resíduo em curativo biológico.
O projeto, desenvolvido com base em pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC), visa transformar parte do peixe, geralmente descartada pela indústria, em um curativo para feridas e queimaduras de difícil cicatrização. O Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical, conduzirá a iniciativa.
Atualmente, o laboratório da UFC produz cerca de seiscentos peles por mês. A nova fábrica deve atingir 4,3 mil unidades diárias no primeiro ano de operação comercial, podendo chegar a 12 mil unidades por dia em uma fase subsequente. As obras devem iniciar em outubro deste ano, com previsão de conclusão em 15 a 18 meses.
O uso do material pode reduzir em 52% o custo total do tratamento de queimaduras em comparação com métodos tradicionais, segundo dados da empresa responsável. A tecnologia permite que o curativo adira à lesão, diminuindo a frequência de trocas, o que também pode reduzir a necessidade de analgésicos opioides.
A fábrica adotará liofilização, técnica de desidratação que permite ao curativo ter validade de até três anos em temperatura ambiente. A produção industrial busca atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), e países como México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia.


