A Copa do Mundo de 2026 intensifica o contraste entre o futebol tradicional e modelos de entretenimento norte-americanos. Analistas apontam que os clubes precisam sair da dependência exclusiva da bilheteria para construir valor no relacionamento com o torcedor.
A lógica econômica do futebol historicamente se baseou na partida, onde a receita vinha de ingressos, patrocínios e direitos de transmissão. Esse modelo, segundo o especialista Fernando Fleury, já não é suficiente diante das novas demandas do público. Diversificar receitas deve ir além de adicionar linhas à planilha, focando em criar motivos variados para o engajamento econômico do fã.
A mudança exige que o clube pense no valor construído ao longo do relacionamento, e não apenas no que extrai de um jogo. Programas de sócios, por exemplo, deixam de ser meros descontos e precisam oferecer experiências distintas para diferentes perfis de torcedores, como famílias ou jovens.
A concorrência por atenção se intensificou com as gerações Z e Alpha, que consomem conteúdo de forma fluida, disputando o tempo do torcedor com games e streaming. Os clubes precisam operar relações fragmentadas, começando com conteúdo e construindo a fidelidade em etapas, e não exigindo o comportamento tradicional logo no primeiro contato.
Para que isso ocorra, a gestão de relacionamento com o cliente e a inteligência de dados se tornam centrais. O patrocínio, por exemplo, deixa de ser apenas exposição em uniformes para se tornar participação na cultura do clube. O desafio, afirma Fleury, é organizar os ativos da marca para gerar diferentes formas de valor, sem ignorar o aspecto de identidade do futebol.

