Bancos centrais aumentam a aquisição de ouro, um movimento que redefine o sistema de reservas globais. Desde 2022, a compra anual de instituições centrais superou a de oito anos anteriores, impulsionada pela guerra na Ucrânia e pela inflação pós-estímulos econômicos.
Nos primeiros seis meses de 2026, a compra total de ouro por bancos centrais alcançou cerca de 345 toneladas, segundo o World Gold Council (WGC). O ritmo acelerou no segundo trimestre, quando as instituições adquiriram 289 toneladas, comparado a aproximadamente 57 toneladas no primeiro trimestre.
A demanda crescente coloca pressão sobre o equilíbrio oferta-demanda. A produção global de ouro atinge cerca de 3.600 toneladas anuais, mas a adição das compras centrais anuais gera um déficit no balanço de suprimento, elevando os preços.
Dados do WGC de 2026 mostram que quarenta e cinco por cento dos bancos centrais planejam aumentar suas reservas de ouro no próximo ano. Além disso, 74% esperam vender dólares, enquanto a participação do ouro nas reservas centrais já atingiu 24%, superando títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
A constante aquisição por bancos centrais estabelece um novo patamar de preço para o metal. Este fluxo sugere uma migração de moedas fiduciárias para o ouro como reserva, um movimento que acompanha a queda na participação do dólar nas reservas internacionais.

