Bancários de todo o país aprovaram, em assembleias realizadas nesta segunda-feira (17), uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira (20). A medida é resposta à proposta da Fenab, que não detalhou reajuste salarial e colocou em discussão o congelamento do piso de ingresso para novos trabalhadores.
A decisão seguiu-se após reuniões que duraram quase oito horas na quinta-feira (13). Durante o encontro, os bancos sugeriram reduzir os vales-refeição e alimentação em cidades do interior e ameaçaram acionar o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para impor seu modelo. A paralisação foi divulgada pelo Comando Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e pelos sindicatos estaduais.
No Distrito Federal, a assembleia condicionou a adesão nacional à realização de novas rodadas de negociação nesta quarta-feira (18) e quinta-feira (19). O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rodrigo Britto, afirmou que a participação seria vital para evitar retrocessos laborais.
Os índices de rejeição foram altos nas bases consultadas. Na Paraíba, noventa e seis vírgula quarenta e oito por cento dos trabalhadores recusaram a proposta da Fenab. Em São Paulo, noventa e sete vírgula sessenta e seis por cento rejeitaram a oferta, enquanto o Rio de Janeiro registrou 1.760 votos contra a proposta dos bancos entre 1.808 votantes.
A categoria reivindica aumento real de salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e recomposição dos vales-alimentação. A Contraf aponta que o patrimônio líquido do setor atingiu R$ 1,2 trilhão em 2025, enquanto o vale-alimentação perdeu 13% de valor real entre 2019 e 2025.


