Um analista sênior apontou que a baixa confiança do consumidor chinês, refletida em uma taxa de poupança de vinte por cento do PIB, está forçando o país a exportar sua capacidade produtiva para o exterior, um fenômeno que ele chama de “China Shock 2.0”.
Dewardric McNeal, analista sênior da Longview Global, afirmou em entrevista que a incapacidade de Pequim de migrar de um modelo baseado na manufatura para um focado no consumo gera problemas na relação comercial do país. Segundo McNeal, a taxa de poupança doméstica chinesa, em vinte por cento do PIB, é o dobro da média da OCDE, indicando baixa confiança do consumidor.
Essa diferença se contrapõe ao cenário americano, onde a taxa de poupança pessoal caiu para dois vírgula oito por cento no segundo trimestre de dois mil e vinte e seis. Enquanto as famílias americanas gastam quase tudo, as chinesas acumulam reservas, impedindo que a produção fabril chinesa atinja seu potencial interno.
O excesso de oferta chinês, portanto, é direcionado a países do Sudeste Asiático, América Latina e Europa. McNeal alertou que o impacto político dessa dinâmica no Sul Global está apenas começando. Além disso, os Estados Unidos intensificaram o uso de software baseado em inteligência artificial para fiscalizar o transbordo de mercadorias.
Dados de sentimento do consumidor dos EUA em junho de dois mil e vinte e seis ficaram em quarenta e nove vírgula cinco, indicando território recessivo na escala da Universidade de Michigan. Enquanto isso, os exportadores chineses buscam demanda global mais fraca, pressionando os mercados externos.


