A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) solicitou uma recalibragem do novo modelo de financiamento imobiliário antes de 2027. A avaliação foi feita por Michel Cury, presidente da Abecip, durante o ABECIP Summit 2026, destacando a maior exposição do sistema às oscilações de juros.
Cury explicou que a mudança mais relevante no setor foi a alteração na origem dos recursos que financiam os empréstimos. A diminuição da participação da caderneta de poupança e o aumento de instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) diversificaram o sistema. Contudo, essa diversificação tornou o custo do crédito mais sensível aos movimentos do mercado financeiro.
O executivo afirmou que, quando as taxas pré-fixadas sobem, a captação de mercado se torna mais cara, e essa pressão atinge o custo final do financiamento mais rapidamente. Embora defenda o desenho do modelo, criado em 2025 e com implementação em 2027, ele apontou que variáveis econômicas mudaram no intervalo. Por isso, a associação precisa discutir evoluções com base em dados atuais.
Em painel com representantes de grandes bancos, como Bradesco, foi consenso sobre a necessidade de reduzir a dependência da poupança. Romero Albuquerque, diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, confirmou que a migração para fontes de mercado já ocorre, reforçando a necessidade de um ambiente de juros mais favorável ao crédito habitacional.
Além do financiamento, Cury defendeu que o setor simplifique processos para baratear o crédito. Ele sugeriu o avanço do registro eletrônico de imóveis e a padronização de procedimentos entre as instituições, alegando que a jornada de documentos gera custos e tempo para o cliente.

