O Tesouro Nacional vendeu nesta terça-feira, dia 18, todos os 1,2 milhão de NTN-Bs ofertados, o maior volume de papéis atrelados à inflação desde abril. A venda foi viabilizada por um vencimento recorde de cerca de R$ 260 bilhões ocorrido na véspera.
Os NTN-Bs, conhecidos como Tesouro IPCA+, tiveram o leilão realizado em um momento de incerteza fiscal e juros nominais elevados. Desde meados de junho, o Tesouro oferecia lotes menores semanalmente, mas o resultado mostrou concentração na demanda por títulos de prazo mais curto.
Dos R$ 5,20 bilhões vendidos em títulos de inflação, R$ 3,34 bilhões, ou cerca de 64% do total, foram destinados ao vencimento de 2031. O economista Alexandre Cabral afirmou que o mercado demonstrou demanda apenas por títulos curtos. Ele observou que o volume total ficou abaixo do esperado considerando o grande valor que retornou ao mercado na segunda-feira.
Cabral atribuiu a demanda fraca à concorrência de títulos privados e à inflação implícita alta. O leilão ocorreu em meio a uma pressão global sobre juros longos, com títulos do Tesouro americano atingindo o maior nível desde 2007. Essa tendência internacional força investidores a exigir retornos maiores no Brasil.
Em julho, a participação das NTN-Bs nas emissões do Tesouro foi de apenas 1,6% do total mensal. No acumulado de 2026, essa fatia caiu para 7%, contra 18% registrado no fechamento de 2025, segundo dados da consultoria Eytse Estratégia.


