A distribuidora Enel SP planeja apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nesta quarta-feira, 19, uma defesa baseada em aumentos de investimentos. A companhia afirma que elevou seus aportes de R$ 1,6 bilhão em 2023 para R$ 2,8 bilhões em 2025, representando uma alta de 73%.
A empresa diz ter investido R$ 1,5 bilhão no primeiro semestre deste ano, mesmo durante o processo na agência reguladora. Os dados apresentados pela Enel SP mostram a maior alta de investimentos no setor entre 2024 e 2025. Segundo a companhia, o tempo médio de atendimento a emergências caiu 55% desde 2023, sendo o sétimo melhor do país no primeiro semestre deste ano.
A defesa surge após questionamentos do Ministério Público de São Paulo, que apontou que a Enel deixou de investir R$ 602 milhões em infraestrutura no estado entre 2020 e 2022. Em 2023, o investimento da empresa foi de R$ 1,6 bilhão, 16% a menos que em 2022. Os baixos aportes levaram ao piora do serviço, com índice de interrupções em 24 horas em 2023 atingindo 12,6%, contra 1,2% no ano corrente.
Em nota, a Enel contestou o Ministério Público, afirmando que investiu cerca de R$ 10 bilhões entre 2021 e 2025. Esse valor é 2,6 vezes superior ao montante investido nos cinco anos anteriores à aquisição da Eletropaulo pela Enel. O processo na Aneel foi motivado por três grandes apagões na Grande São Paulo, um deles em dezembro de 2025, que afetou quatro milhões de imóveis.
Após as alegações finais da empresa italiana, a área técnica da Aneel emitirá um parecer. A diretoria da agência decidirá se recomenda a perda do contrato, e o Ministério de Minas e Energia terá a palavra final. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou-se contra a renovação da concessão.

