Uma pesquisa realizada pela Ipsos, a pedido da farmacêutica Apsen, apurou que cinquenta e seis por cento das mulheres com quarenta anos ou mais já tiveram episódios de incontinência urinária no Brasil. O levantamento, que ouviu mil e quinhentas pessoas, indicou que oitenta e sete por cento das afetadas nunca fizeram tratamento.
A condição, que é frequente, ainda é pouco discutida no país. Segundo a urologista Rebeka Cavalcanti, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), fatores como gestação, parto e envelhecimento elevam a incidência após os quarenta anos. A especialista afirmou que, enquanto nos homens a incontinência costuma estar ligada ao tratamento ou à retirada da próstata, mais de cinquenta por cento das mulheres podem desenvolver o quadro.
O estudo apontou que cerca de vinte por cento das entrevistadas desconheciam que a condição possuía tratamento ou não sabiam que urologistas atendem mulheres. A demora para procurar ajuda também foi um fator notado: as mulheres convivem com os sintomas por um ano e meio, em média, antes de buscar atendimento, e trinta e seis por cento relataram a perda urinária há mais de dois anos.
A dificuldade de abordagem também existe nos consultórios. Cinquenta e quatro por cento das entrevistadas disseram que nenhum profissional de saúde perguntou sobre perda urinária em consultas de rotina. Além disso, sessenta e quatro por cento das mulheres com mais de cinquenta anos que enfrentam o problema relataram dificuldade em falar sobre o assunto, mesmo com especialistas. Cavalcanti atribuiu esse tabu a um dos principais obstáculos para o diagnóstico.
Os impactos da incontinência vão além dos escapes. Cinquenta e dois por cento das mulheres afetadas mudaram hábitos por medo de perder urina em público. As adaptações incluem o uso preventivo de absorventes ou fraldas e a redução de atividades físicas. A pesquisa mostrou que, embora cinquenta e oito por cento soubessem do tratamento, apenas treze por cento das afetadas o realizaram.


