Servidores do Banco Central teriam mantido contato com um banqueiro, recebendo orientações e informações internas sobre fiscalização. As conversas ocorreram em um grupo de WhatsApp chamado “Master”, criado semanas antes da liquidação do Banco Master, segundo a Polícia Federal.
O material da investigação aponta que os dois servidores revisavam documentos enviados pelo Banco Master ao Banco Central (BC) e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Eles também ajudavam a organizar reuniões e comentavam posições de outras autoridades monetárias. A Polícia Federal investiga que os funcionários ultrapassaram limites de função ao defender interesses privados do banqueiro.
Os servidores foram afastados em janeiro e são investigados por possível recebimento de vantagens financeiras. Um diálogo de fevereiro de 2025 mostra um servidor alertando o banqueiro sobre uma movimentação de 488,8 milhões de reais. Outro trecho revela que os funcionários orientavam sobre como apresentar demandas ao BC.
Em novembro de 2025, o banqueiro perguntou ao grupo se o BC poderia enviar uma carta ao BTG para facilitar a venda de um ativo. Os diálogos se intensificaram um dia antes da liquidação do banco, com os servidores recomendando ao banqueiro insistir em um contato com um diretor do BC.
A investigação identificou que, paralelamente ao contato com o banqueiro, os servidores participavam da tramitação de informações que seriam encaminhadas às autoridades. Em 10 de novembro de 2025, o BC produziu documento relatando indícios de crimes envolvendo o Banco Master e a Reag Investimentos, e os servidores deram aval interno ao encaminhamento dessas informações.

