A necessidade de “fazer mais com menos” acelera a inovação em máquinas agrícolas e de construção, aponta Rafael Miotto, presidente da CNH Industrial na América Latina. O executivo diz que tecnologia e inteligência artificial são instrumentos para aumentar a produtividade e a eficiência das operações do setor.
Miotto reconheceu que o cenário econômico impõe desafios aos clientes. A agricultura enfrenta pressões de rentabilidade, enquanto custos, juros elevados e questões geopolíticas afetam os investimentos. Na construção, a atividade se mantém amparada por obras de infraestrutura, embora também sofra com essas pressões.
A estratégia tecnológica da CNH não se foca apenas em novas máquinas. A companhia reformulou seus processos de inovação há quase dez anos, adotando uma abordagem aberta e descentralizada. Segundo o executivo, esse modelo gerou ganhos de qualidade e produtividade que chegam aos equipamentos.
Um obstáculo à digitalização no campo é a falta de cobertura de internet nas áreas rurais. Miotto disse que existe um grande déficit de conectividade na América Latina. A empresa participa de iniciativas conjuntas para ampliar essa rede, o que beneficia comunidades vizinhas às operações agrícolas.
Apesar das limitações, o país possui núcleos de excelência mundial em tecnologia agrícola, como no setor de cana-de-açúcar e grandes operações de grãos. No entanto, o executivo afirmou que a Europa e os Estados Unidos ainda utilizam mais tecnologia, embora as máquinas brasileiras sejam usadas em maior intensidade, o que acelera o retorno do investimento.


