A seca extrema que afeta a Europa expõe o passado histórico de dois rios centrais do continente. Os níveis baixos do Reno e do Danúbio revelaram destroços de navios alemães afundados na Segunda Guerra Mundial, além de achados de períodos milenares.
O Rio Reno, principal hidrovia europeia, enfrenta um nível crítico em trechos industrializados, como em Colônia, Alemanha. A redução do volume de água deixou áreas submersas expostas. Um morador local relatou que as temperaturas extremas, chegando a 38 ou 40 graus, marcam verões sem chuva. O leito exposto também permitiu a descoberta de objetos históricos, segundo um caçador de tesouros, incluindo moedas romanas e peças de embarcações.
Na região de Kaub, ponto estratégico do Reno, a profundidade reduzida impede a navegação de muitos cargueiros. As embarcações que seguem precisam reduzir a carga, o que eleva os custos e o consumo de combustível no transporte de mercadorias pelo continente. Além disso, reapareceram as chamadas “pedras da fome”, marcas antigas em rochas que alertam sobre escassez de alimentos em períodos de estiagem.
O Danúbio, o rio mais longo da Europa, também sofre com o recuo das águas. Na Sérvia, destroços de uma frota nazista, afundada em 1944 para evitar captura soviética, voltaram a emergir. Em outros países, a estiagem afeta a geração de energia, forçando o desligamento de um reator nuclear na Romênia.
Vestígios mais antigos também foram encontrados. Na Bulgária, pesquisadores localizaram o que pode ser uma mandíbula, duas presas e uma costela de mamute expostos pelo recuo das águas. Especialistas apontam essas descobertas como consequência direta do fenômeno climático em curso.

