A Indonésia emprega a técnica de semeadura de nuvens para tentar controlar os incêndios florestais na ilha de Bornéu. A medida surge diante da previsão de uma temporada severa, impulsionada pelo fenômeno El Niño. O governo relata que mais de 100 mil hectares foram queimados no primeiro semestre deste ano.
A semeadura de nuvens consiste na dispersão de iodeto de prata e sais nas nuvens para estimular a precipitação. O governo indonésio aumentou o número de operações desse tipo; entre 2021 e agosto deste ano, foram realizadas 252 operações, comparado a 85 na década anterior, segundo a agência meteorológica BMKG.
A meteorologista Safillah Anggie Wahyuni afirmou que o objetivo não é criar nuvens, mas sim otimizar aquelas com potencial para chover. A técnica, que já foi usada em 1977 para aumentar reservas hídricas, tem sido intensificada, com dezenas de helicópteros e aviões prontos para atuar nacionalmente.
Apesar dos esforços, especialistas questionam a eficácia da técnica durante a estação seca, período de pico dos incêndios. Um professor de hidroclimatologia da Universidade IPB, ao sul de Jacarta, declarou que a eficácia seria baixa por conta da falta de cobertura de nuvens. Além disso, há preocupações sobre os custos e os danos potenciais do uso generalizado de iodeto de prata.
A situação ambiental é crítica. A fumaça gerada pelos incêndios atinge Malásia e Singapura, elevando os níveis de poluição do ar na parte malaia de Bornéu. O Ministro do Meio Ambiente solicitou que governos locais reforcem patrulhas preventivas contra queimadas ilegais, embora a prática ainda seja comum entre pequenos agricultores.

