Empresários e especialistas manifestaram cautela sobre a proposta de reduzir a jornada de trabalho de seis para um no Brasil. O debate ocorreu em São Paulo, onde participantes apontaram que a mudança exige análise de seus efeitos na produtividade, no emprego e nos custos das empresas.
A mesa-redonda, realizada no evento Conecta TMC, contou com representantes do varejo, alimentação e shopping centers. A economista Zeina Latif afirmou que o Brasil não possui produtividade alta, diferentemente de países que já implementaram reduções de jornada. Ela alertou que a transição é arriscada, especialmente em ano eleitoral.
Vander Giordano, conselheiro da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), questionou se o problema reside na jornada de trabalho ou no tempo gasto nos deslocamentos diários. Ele também cobrou do governo a apresentação de estudos sobre o impacto da medida no preço dos produtos e nos custos empresariais.
Karina D’Ornelas, da varejista Riachuelo, defendeu que, caso a alteração ocorra, o setor produtivo precisa de previsibilidade para se adaptar. Um período de transição, segundo ela, permitiria capacitar trabalhadores e reorganizar as operações.
A proposta, que foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados, visa reduzir gradualmente a jornada semanal de quarenta e quatro para quarenta horas, sem corte salarial. O projeto segue agora para análise do Senado Federal.

