A descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, pode impulsionar o papel global do Brasil, mas Ildo Sauer, professor da USP e ex-diretor da Petrobras, afirma que o achado só será um avanço se o modelo de exploração adotado no pré-sal for modificado.
Sauer classificou a notícia como “muito animadora”, mas alertou para a necessidade de cautela. Ele comparou a expectativa de um “passaporte para o futuro” com o caso do pré-sal, que não se concretizou devido ao modelo de exploração vigente. O especialista defende o controle estatal maior sobre a exploração, visando financiar o desenvolvimento econômico e social do país.
O engenheiro criticou que os ganhos do pré-sal não resultaram em melhorias proporcionais em áreas como saúde e educação. Segundo ele, o problema atual é que pequena fatia da riqueza gerada pelo petróleo se converte em investimentos transformadores. Para capturar o excedente econômico, Sauer sugeriu que o Brasil utilizasse um dispositivo da Lei nº 12.351/2010 para que a Petrobras fosse contratada pela União em regime de prestação de serviços.
A confirmação da descoberta exige etapas técnicas longas. Os próximos passos incluem a perfuração de um segundo poço exploratório e a comunicação à Agência Nacional do Petróleo (ANP). Sauer estima que, tipicamente, leve no mínimo quatro anos até o início do desenvolvimento, com um horizonte de cinco a sete anos para o petróleo entrar no mercado.
O ex-dirigente também avaliou que a Margem Equatorial reforça a relevância estratégica do Brasil no mercado de petróleo. Ele argumenta que o país atua hoje como “tomador de preços”, dependendo de organismos como a Opep, e que a autonomia nacional depende de uma inserção soberana na governança do mercado.

