A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) identificou irregularidades na documentação de empresas que realizam voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Os técnicos constataram registro de horas de voo inferior ao tempo real, o que pode atrasar a manutenção das aeronaves.
A operação de fiscalização, intensificada após três acidentes com helicópteros resultarem em treze mortes no estado neste ano, verificou dezoito aeronaves. Nove delas tiveram suas operações suspensas, e quatro empresas foram impedidas de prestar serviços turísticos. Segundo a ANAC, duas companhias falsificaram documentos sobre o uso das aeronaves.
Um exemplo citado pela agência mostra um voo de trinta minutos registrado como tendo durado apenas dez minutos. A redução artificial do tempo registrado pode fazer com que a manutenção seja postergada, pois a periodicidade dos serviços depende do número de horas de utilização de cada modelo de helicóptero.
Entre as suspensas está a Voos Rio Panorâmico, dona do helicóptero envolvido no acidente da Vista Chinesa no dia oito deste mês, que matou três turistas colombianas e o piloto Alessandro Rosa. A companhia possui cinco aeronaves que estão impedidas de voar até cumprir as exigências da ANAC.
Além das falhas nos registros de voo, os fiscais identificaram tentativas de obstruir o trabalho da equipe e a falta de documentos que comprovassem o Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO). A ANAC planeja ampliar a auditoria para aeronaves particulares e de táxi aéreo em duas semanas.


