A agricultura brasileira inicia o segundo semestre de 2026 sob atenção devido à combinação de um provável El Niño forte e o aumento nos custos de fertilizantes. O cenário pode impactar as condições climáticas e elevar despesas de produção, afetando as safras de 2027 e os preços de commodities.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indica mais de noventa por cento de probabilidade de um episódio de El Niño “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027. Há também sessenta e nove por cento de chance de o fenômeno atingir intensidade histórica, superando registros de mil novecentos e cinquenta. No país, os efeitos variam por região e cultura, com possibilidade de alteração no regime de chuvas.
Para algumas culturas, o fenômeno pode apresentar efeitos iniciais positivos, com expectativa de condições favoráveis para o açúcar e o café arábica. Contudo, a possibilidade de seca no final do ano gera preocupação para as lavouras da safra de 2027, especialmente em áreas vulneráveis.
A pressão climática ocorre junto à dificuldade no abastecimento de insumos. Cerca de um milhão e trezentas mil toneladas de fertilizantes deixaram de circular pelo Estreito de Ormuz, rota usada por exportadores como Brasil e Índia, devido à guerra no Oriente Médio e tensões com o Irã. Nos cinco primeiros meses de 2026, os preços dos fertilizantes subiram trinta e cinco por cento.
Essa elevação de custos ocorre em meio à incerteza climática. A combinação de insumos mais caros e possíveis mudanças na oferta de chuva tende a aumentar o custo das próximas safras. No mercado internacional, o cacau ultrapassou doze mil dólares por tonelada após quebras de safra na África Ocidental, enquanto o arroz pode perder entre vinte e cinquenta por cento de produtividade em regiões vulneráveis da Ásia e da África.


