Agentes de inteligência artificial estão mudando a dinâmica do mercado de softwares empresariais ao assumir funções de funcionários. A mudança questiona o modelo de negócios tradicional, que se apoia no usuário humano como principal consumidor da licença do sistema.
A premissa de que o funcionário é o principal usuário de plataformas como sistemas de CRM e de gestão de TI está sendo questionada. Empresas como Salesforce lançaram arquiteturas que expõem funcionalidades por meio de API, permitindo que agentes de IA acessem dados e lógica de negócios sem a necessidade de abrir um navegador.
Segundo Yoav Kolodner, CEO da Tribal, a relevância dos sistemas de registro de dados não diminui, mas aumenta. Ele afirma que o que os agentes necessitam é do modelo de objeto e da lógica de negócios acumulada ao longo de anos de casos específicos. Esse conhecimento é complexo de reconstruir.
O impacto mais imediato recai sobre a receita. O setor operou por anos com precificação baseada em assentos. Se agentes de IA executam tarefas que exigiam múltiplos colaboradores, a justificativa do custo por licença se torna difícil. ServiceNow, por exemplo, tem migrado para contratos baseados em consumo e resultados.
A transição também abre espaço para novas camadas de infraestrutura. Muitas grandes corporações não substituirão seus sistemas centrais devido ao alto custo de troca. Isso cria um mercado para plataformas que ajudam os agentes a operar em ambientes empresariais existentes, mapeando dados e permissões.


