Um novo projeto, o AI Observatory, coletou e analisou conversas reais com modelos de inteligência artificial, como Claude e Gemini, para fornecer dados independentes sobre o uso da tecnologia. A iniciativa busca preencher lacunas deixadas por relatórios de empresas, que, segundo pesquisadores, focam em usos profissionais.
Pesquisadores apontam que empresas de IA divulgam apenas dados que desejam apresentar. A candidata Anka Reuel, do Laboratório STAIR da Universidade de Stanford, é co-líder do AI Observatory. A plataforma pública agrega conversas consensuais de sete conjuntos de dados para avaliar como as pessoas utilizam a IA generativa.
O estudo demonstrou que o uso de IA varia entre os modelos e mudou com o tempo. Os achados revelaram comportamentos mais sensíveis do que os relatados pelas grandes empresas, que priorizam o uso produtivo. Ao aplicar métodos de uma das empresas ao seu conjunto de dados, a equipe do Observatório identificou que quase metade das conversas, 48%, seria filtrada pelos critérios da empresa.
Essas conversas não relacionadas ao trabalho tinham maior probabilidade de tratar de saúde e relacionamentos (44,2% contra 31,2% na análise corporativa), temas adultos ou ilícitos (7,9% contra 2,1%), assédio e ódio (27,5% contra 5,66%), e conteúdo sexual (16,7% contra 2,4%).
O estudo também mostrou diferenças no comportamento dos usuários. Enquanto usuários recorreram mais a Grok e Gemini para busca de informações, Anthropic foi mais usado para codificação, Gemini para papéis sociais e ChatGPT para tarefas escolares. Conversas com o ChatGPT foram mais longas e iterativas quando alimentadas pelo GPT-4o, em comparação com o GPT-3.5.

