O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) divulgou a ata de sua reunião de fim de julho nesta quarta-feira (19). O documento aponta que o apoio à elevação dos juros nos Estados Unidos foi maior do que o indicado pelos três votos dissidentes, em meio a debates sobre a inflação.
Economistas apontam que a ata sinaliza preocupação do comitê com os índices de inflação, mantendo um viés vigilante, embora sem consenso para um aumento imediato. Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, a autoridade monetária opera em modo de espera, mas uma ala defende alta caso os dados mostrem piora.
Nicolas Gass, sócio da GT Capital, afirmou que os membros que defenderam o aperto monetário não estavam isolados. Ele citou que alguns argumentaram que subir os juros agora ajudaria a evitar aumentos maiores no futuro. Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital, acrescentou que a ata indicava que o comitê estava próximo de perder a maioria na manutenção da taxa.
Apesar do apoio maior à alta, a avaliação predominante no encontro foi de que a inflação desaceleraria no restante do ano. Contudo, a ata esclarece que riscos inflacionários continuam assimétricos para cima, agravados pelo conflito no Oriente Médio e choques de oferta.
Cláudia Moreno, economista do C6, mantém a projeção de duas altas de juros no ano. O banco Daycoval, por sua vez, manteve a expectativa de juros nos EUA entre 3,50% e 3,75% até o fim de 2026. Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, observou que a ata é marginalmente negativa para os títulos públicos brasileiros, devido ao aumento da pressão sobre o Tesouro Nacional.

