Uma análise brasileira, apresentada na ASCO 2026, estima que o teste genômico Oncotype DX pode mudar a indicação de quimioterapia em 43% das pacientes com câncer de mama inicial. A maioria dessas mudanças sugere a suspensão do tratamento químico.
O estudo, publicado no JCO Global Oncology, usou modelagem para prever como o teste poderia modificar as orientações médicas no sistema de saúde suplementar brasileiro. Os cálculos foram baseados em dados epidemiológicos e em orientações de dez oncologistas brasileiros especializados no tratamento da doença.
Um estudo prospectivo realizado em 2021, envolvendo cento e setenta e nove mulheres em São Paulo, mostrou que a recomendação de tratamento alterou-se em 65% dos casos. A maior parte das mudanças ocorreu quando pacientes que seriam encaminhadas à quimioterapia passaram a receber apenas terapia hormonal.
O teste avalia o comportamento biológico do tumor, gerando um resultado chamado Recurrence Score®, que varia de zero a 100. Diferente de exames de mutações hereditárias, ele foca no diagnóstico específico do tumor. A oncologista Laura Testa explicou que a informação genômica adiciona uma camada à avaliação convencional, tornando a recomendação mais individualizada.
A modelagem mais recente reforça que o exame não apenas retira indicações, mas também identifica pacientes que se beneficiariam da quimioterapia, mesmo sem indicação inicial. A precisão pode evitar que pacientes recebam efeitos adversos do tratamento sem benefício clínico.


