Um economista, empresário e ex-executivo de RH, Marco Dalpozzo, iniciou uma travessia de quarenta dias no litoral brasileiro. A viagem, movida apenas pelo vento, levanta o debate sobre a finitude de recursos naturais e a lógica de negócios.
A expedição, quarta edição do projeto Onde o Vento Levar, partiu de Salvador com destino a Macapá. Dalpozzo, italiano radicado no Brasil há trinta anos, percorre a rota em kitefoil, acompanhado por Said Selvagem e Wandeson Sousa. A travessia atravessa a região da Amazônia Atlântica, área que recentemente ganhou destaque após a Petrobras confirmar a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas.
O profissional defende que recursos naturais e recursos de negócio seguem a mesma lógica de finitude. Segundo Dalpozzo, uma empresa que ignora esse limite aposta contra o tempo. Ele aponta que a natureza demonstra esses limites, questionando se a sociedade escuta os sinais antes que seja tarde demais.
A constatação do economista não se baseia apenas em relatórios. Ele citou a experiência na expedição anterior, no litoral cearense, onde notou a drástica redução de cardumes de peixes no mesmo trecho, comparada a passagens anteriores. Essa observação, ele disse, é um dado sobre o uso dos recursos.
Dalpozzo também abordou o excesso de respostas prontas na sociedade moderna. Ele argumenta que a dependência de algoritmos e recomendações custa a capacidade de observar e imaginar. A travessia, que exige decisões com informação incompleta, exemplifica o desconforto necessário para tratar a sustentabilidade como prática e não apenas discurso.


