Cerca de dois bilhões e quatrocentos milhões de pessoas vivem a menos de cem quilômetros de uma costa. Essa área gera entre trinta e cinquenta por cento do Produto Interno Bruto global. Contudo, a economia do oceano, avaliada em trilhões, degrada os ecossistemas marinhos essenciais para a subsistência de mais de três bilhões de indivíduos.
Apesar da importância econômica, a exploração atual coloca em risco os estoques pesqueiros e corais. Manguezais e áreas úmidas, que protegem comunidades contra eventos climáticos, continuam a desaparecer. Sem intervenção, a economia azul tende a seguir o modelo extrativista que já esgotou recursos naturais.
Para mudar esse cenário, especialistas defendem uma economia azul regenerativa. O conceito exige que a atividade econômica devolva mais ao sistema do que extrai, ajudando a reconstruir capital natural e social. Setores como navegação, portos e pesca necessitam de transição para reduzir poluição e descarbonizar operações.
Pesquisas indicam que uma economia positiva para a natureza pode gerar mais de três vezes mais empregos que o modelo atual. Essa mudança requer planejamento de áreas marinhas para gerenciar impactos cumulativos, priorizando a restauração em certas regiões.
A governança desse novo modelo deve centralizar povos indígenas e comunidades locais. O exemplo do Seascape da Cabeça do Pássaro, na Indonésia, mostra como direitos comunitários integrados à conservação geram recuperação ecológica e diversificação de renda.


